sábado, 1 de fevereiro de 2014

LEMBRE-SE ESTOU ARRUMANDO A MALA!





Lembre-se estou arrumando a mala; já estou pronta pra viajar!

Mas antes tenho de consultar diariamente ao Senhor; pra Ele me orientar e exortar apuradamente qual é o meu destino,  o porto seguro; pois desse local não quero mais voltar; sei que morrerei na terra onde meus pés fincarem...

Por 52 anos almejei essa viagem e sei que o Senhor não malogrará a minha esperança; Ele sabe que está se esvaindo os motivos de aqui permanecer nessa cidade que tanto me enfada e me entristece; sei que não encontrarei ainda o paraíso, só quando morrer ou for arrebatada isso ocorrerá; mas pelo menos encontrarei um local, pra eu gozar de uma certa tranquilidade e algumas realizações  nos anos de vida que me resta;  sendo eu mesma,  sentindo um cheirinho de café tão agradável, me relembrando a minha infância;  enfim me reconhecendo fazendo parte de algum lugar; pois aqui onde eu nasci e vivi; jamais me sentir assim, sempre fui marciana vivendo escondida no meu recanto.

Mas  enquanto isso não ocorre, eu viajo em pensamentos; mas todos dias, me esmero em arrumar a minha mala com mais perfeição...

Jamais quero colocar nela-- cobiças, lascívias, pedras de tropeço-- pra atingir alguém,  magoar ou defraudar alguém, macular o templo do Espírito Santo de outro ser; não quero brincar com os sentimentos alheios; mas também não vou permitir, nem dar liberdade, pra alguém brincar comigo.

Também não quero colocar na minha mala--roupas que não dignifiquem, nem exaltem o Espírito Santo que habita em mim--não quero chamar atenção para o  meu exterior; desprezando o precioso tesouro que guardo no meu interior.

Na minha mala não levarei-- pesos desnecessários-- que abarrotem ela, tirando todo a leveza do novo, o imaginável lugar que eu habitarei; deixarei de fora, as lembranças do passado, e tudo que se refere  a minha velha vida.

Imprescindível levar a espada do Espírito, a Bíblia, a Palavra de Deus; pra que me abasteça das armas espirituais que serão travadas; mas em nome do Senhor Jesus, já estou vitoriosa; e todo lugar que pisar a planta dos meus pés será santo, porque assim o Senhor determinará!

Levarei com muita fartura na minha mala--carinho, respeito, verdade, afeto, dignidade, amizade, fé, alegria, esperança-- e o que mais quero ornamentar com profusão ela é o amor, o sublime amor que sempre eclodirá, irradiará, contagiará onde eu estiver; é o que eu mais almejo e sonho realizar!

Em tempo, terei livre escolha de arrumar a minha mala com coisas, muitas vezes, imperceptíveis, mas extremamente valiosas pra mim...continuarei arrumando a minha mala, esmeradamente em liberdade, que só a presença de Cristo em minha vida me legou e me legará onde eu estiver, hoje, amanhã e sempre!

Lembre-se estou arrumando a mala; falta tão pouco para fechá-la; eu pressinto que está chegando o dia;  glória a Deus, por me abençoar com tamanha dádiva!

Será que alguém estará almejando a minha chegada em algum lugar!? 

Que viveu só pra me conhecer e eu nasci só para conhecê-lo!?



''Viajar é nascer e morrer a todo o instante''. (Victor Hugo)
















O RETRATO DA MULHER AMADA



Meu pai, mesmo idoso, continuava esforçado, em pleno vigor físico e sempre atuante, exercendo a sua profissão de securitário com muita dignidade, honestidade e eficiência; mas num fatídico dia que ele foi visitar um cliente e foi atropelado pelo caminhão da Skincariol; e ficou sofrendo durante cinco longos meses; três meses no hospital--martírio doloroso entre idas e vindas da UTI--e nós, filhas, impotentes, como sonâmbulas, assistindo passivamente meu pai sendo cobaia de experimentos dos médicos que poderiam, pelo menos, prolongar a sua vida...jamais orei, e clamei tanto a Deus como naqueles momentos; suplicava ao Senhor que não o levasse tão inesperadamente de nós; eu ainda não estava preparada para perdê-lo naqueles momentos.
 
Deus me ouviu e atendeu os meus clamores, e me legou mais tempo com ele; apesar de saber e perceber que o meu pai jamais seria aquele homem de outrora ativo, alegre e cheio de energia e vida;  que não poderíamos ter mais as nossas conversas, a nossa cumplicidade ímpar; ele,  na maioria do tempo, ficava dopado devido aos efeitos dos remédios; naqueles momentos de aflições, ele era apenas uma caricatura do homem que um dia ele foi.
 
Mas  meu pai ficou um pouco melhor e os médicos deram alta  do hospital pra ele; e ficou sendo acompanhado pelo Home Care em casa; quer dizer a nossa casa foi transformada em ambulatório domiciliar; um entra e sai  de enfermeiras e até de visitas de médicos; e isso durou mais ou menos apenas dois meses; e tivemos a alegria de comemorar o seu aniversário de 82 anos ao seu lado; mas um mês depois ele morreu.
 
Uns quinze dias antes desse acontecimento ele pediu  que colocássemos em cima do piano o retrato de minha mãe para que todos os dias ele pudesse olhar para ela; e sempre que eu chegava para visitá-lo e vê-lo, eu o encontrava olhando para o retrato; e ele começava a falar sobre ela; e eu tinha a certeza  que o fato de olhar para a mulher amada amenizava a sua dor.
 
Mas um dia, minha irmã de criação resolveu tirar essa foto do local que ele apreciava,  bem em frente do seu campo de visão, pois alegou que ele olhando essa foto ficava mais entristecido e falando sobre a minha mãe; nem sei por  que  não questionei a atitude de minha irmã; e um dia depois meu pai  foi dopado excessivamente por imperícia e imprudência de uma enfermeira e ele broncoaspirou secreções ou o vômito, que deve ter ido diretamente aos seus pulmões, e mesmo sendo levado as pressas de ambulância; veio a falecer; e eu nem tive tempo de me despedir de meu pai, pois estava em minha casa, dando um pouco de atenção aos meus filhos; pois minha vida se desestabilizou completamente após esse acidente de meu amado, amigo, maior incentivador, pai.
 
Ontem estava ouvindo música e minha filha veio conversar comigo  e começou a me contar sobre uma entrevista que ela tinha assistindo de um escritor famoso Ariano Suassuna, já idoso, que ele revelou que guarda com afeto, carinho e muito zelo uma pequena pedra que a sua namorada eterna, a sua esposa, tinha ofertado pra ele numa viagem; e nem sei por que?
 
Comecei a relembrar de meu pai e de tudo que aconteceu com ele e nos seus últimos dias de vida que ele buscava alento, força e abnegação para suportar tantos sofrimentos; pois ele tinha perdido a sua  amada, apenas um ano atrás; e a sua filha dileta também tinha separado do seu companheiro justamente nesses momentos (infelizmente ocasionei mais preocupações pra ele com a minha separação do meu ex).
 
Ontem percebi  que a visão do retrato de minha mãe, a mulher amada por meu pai, o manteve vivo; assim como nos manterá também...
 
Como é triste não ter alguém para olhar, admirar, sonhar, amar e saber que aquele rosto amado será o último rosto que veremos antes de morrer...
 
Amar é alcançar, com antecedência, alguns dos benesses do céu através de um simples sorriso, um olhar atento e tão esmiuçador que enxerga não só o reflexo físico do outro ser; mas uma alma livre, entretanto, por sua livre escolha, ligada a visão suprema, inigualável e singela do ser amado; alguém pra  amar por toda a eternidade!
 
E é esse raro amor que quero sentir por toda uma vida; espero que o Senhor me abençoe em encontrar alguém que também almeje a realização do  mesmo sonho que eu; e que queira perpetuar o projeto de Deus ao ofertar a Adão a sua adjutora fiel, Eva!
 
 
 
 
 
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.

Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.

E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar;

E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.

E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. Gênesis 2:18-24