quinta-feira, 17 de novembro de 2016

RECEBER UM CHAMADO JUNTOS


 



O que quer dizer amar uma outra pessoa? O afeto recíproco, a compatibilidade intelectual, a atração sexual, a partilha de ideais, um suporte comum, tanto financeiro como cultural e religioso, tudo isto podem ser fatores importantes para um bom relacionamento, mas não são garantia de amor.

Um vez encontrei dois jovens que queriam casar. Ambos eram bem parecidos, muito inteligentes, muito semelhantes quanto ao background familiar e amavam-se perdidamente. Tinham passado muitas horas com psicoterapeutas qualificados para analisar o seu passado psicológico e para examinar diretamente os seus pontos fracos e fracos, no aspecto emocional. Pareciam a todos, bem preparados para se casarem e terem juntos uma vida feliz.

Mesmo assim, fica a questão; serão capazes estas pessoas de se amar mutuamente bem, não só por algum tempo ou alguns anos, mas por toda a vida? Para mim, que fui convidado a acompanhá-los, isso não era tão óbvio como para eles. Eles tinham-se estudado durante muito tempo e estavam certos que os sentimentos de amor mútuo eram fortes; mas seriam eles capazes de enfrentar juntos um mundo em que muito pouco apoia um relacionamento duradouro? Donde  lhes viria a força de serem fiéis um ao outro, em momentos de conflito, pressão econômica, angústia profunda, doença e perante infalíveis separações? O que significa para este homem e esta mulher amar-se como marido e esposa até a morte os separar?

Quanto mais eu refletia sobre isto mais sentia que o casamento é, acima de tudo, uma vocação. Duas pessoas são chamadas em conjunto a cumprir a missão que Deus lhes confiou. O matrimônio é uma realidade espiritual. Ou seja, um homem e uma mulher unem-se por toda a vida, não só provam um profundo amor recíproco, mas porque acreditam que Deus ama cada um deles com infinito amor e os atraiu para serem testemunhas vivas desse amor. Amar é corporizar, digamos assim, o amor infinito de Deus numa comunhão fiel com outro ser humano.
 
 
(Extraído do Livro: Mosaicos do Presente - Vida no Espírito - de Henry J. M. Nouwen; Capítulo X - Relacionamento, p. 122-123)
 





segunda-feira, 14 de novembro de 2016

OS DESEJOS QUE ANTECEDEM AOS ATOS DELEITOSOS OU ABOMINÁVEIS!


 
 

 

 



Os desejos da alma nos acompanham desde o nosso nascimento, o nosso primeiro choro em busca do afago, do cheiro, da aproximação da mãe, do consolo, da proteção, do afeto, do amor dela. Os desejos naturais também nos instigam a buscar, realizar, concretizar os nossos anseios, como sugar o seio materno em busca do leite que nutre, sacia a nossa fome.

Somos seres ávidos, desejosos, sempre buscando algo mais, e a saciedade dos nossos desejos sejam da alma, ou da carne. Quando canalizamos os nossos desejos para o bem, não só nosso, mas também em prol do nosso próximo, eles são louváveis. Oramos e clamamos que o SENHOR conceda a realização dos nossos desejos, e quando isso ocorre, nos regozijamos, geralmente, somos gratos a Ele (Deuteronômio; Salmos 37:4; Provérbios 13:12,19).

''Senhor, tu ouviste os desejos dos mansos; confortarás os seus corações; os teus ouvidos estarão abertos para eles;''
 
(Salmos 10:17)
 
''Também no caminho dos teus juízos, Senhor, te esperamos; no teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma.

Com minha alma te desejei de noite, e com o meu espírito, que está dentro de mim, madrugarei a buscar-te; porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do mundo aprendem justiça''.

(Isaías 26:8,9)
 
Entretanto, a carne é fraca, cobiçosa, sempre repleta de desejos; a nossa mente foi corrompida pelo pecado, e diariamente, uma batalha é travada dentro de nós,  a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne;  não devemos ceder aos desejos que nos sobrevém e nos tentam continuamente; aparentemente, com disfarces atraentes de  desejos legítimos e inocentes (Deuteronômio 23:24; Provérbios 21:25; 2  Coríntios 10:3; Gálatas 5:16,17 ).

''As mulheres deveriam fazer menos, não mais. Menos daquilo que desejamos e mais do que Deus quer''.
 
(Cindy Lewis Dake)
 
''Em nossa atual condição de peregrinos, existe espaço deficiente (mais do que a maioria de nós aprecia) para a abstinência e para renúncia, assim como a mortificação dos desejos naturais''.
 
(Extraído do Livro: Milagres, p.246)
 
Os ímpios, aqueles que são escarnecedores, não respeitam e desprezam os santos desígnios de Deus;  sempre vão em busca da saciedade dos seus desejos, não importam, se desagradam ao SENHOR, ou ocasionam o mal ao seu próximo.

''Não concedas, ó Senhor, ao ímpio os seus desejos; não promovas o seu mau propósito, para que não se exalte. (Selá.)''
 
(Salmos 140:8)

''A alma do ímpio deseja o mal; o seu próximo não agrada aos seus olhos''.

(Provérbios 21:10)
 
Devemos relembrar um exemplo bíblico chocante de Caim, que matou o seu irmão Abel para saciar o seu desejo de revanche (inveja, ira) contra um inocente, que nada tinha feito de errado, apenas ser obediente, temente a Deus, ofertando o melhor que tinha; Abel, jamais tinha feito algo que desabonasse a sua conduta, ou provocasse a ira  do irmão contra ele.  O pior foi a rebelião de Caim contra a Deus, não dando ouvidos a sua exortação, que deveria urgentemente,  dominar o seu desejo, o apelo da carne, e o mau desígnio do coração, da alma,  já totalmente absorvida pelo intento maligno.

''Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar.

E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou''.
 
(Gênesis 4:7,8)
 
Quantos, atualmente, seguem os mesmos caminhos de Caim, cedendo aos desejos malignos da carne, da alma; nem se lembrando que existe um Deus justo e soberano, que tudo vê, tudo sonda, tudo tem conhecimento; e que, inexoravelmente, recairá sobre cada um deles o juízo e a ira do SENHOR, se não houver o arrependimento, a confissão dos delitos, as iniquidades cometidas em prol da saciedade dos desejos insanos.

Outro exemplo bíblico foi o de Eva,  que foi totalmente absorvida, e direcionada pelo maligno a saciar um desejo carnal, quando ela viu que a árvore era tão desejável, teve o desejo urgente e imediato de comer o fruto proibido, e o pior, ainda o compartilhou com Adão, e ele cedeu ao desejo da sua mulher, também, tendo o mesmo  desejo de saborear o fruto ao seu lado; ambos estavam cegos, absorvidos pelos desejos malignos, desobedecendo a designação de Deus de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, sendo rebeldes contra o SENHOR ( Gênesis 2:15-17).

''E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela''.

(Gênesis 3:6)
 
Após a rebelião, Deus proferiu uma sentença amaldiçoadora para cada um deles, devo ressaltar a de Eva, pois além dos sofrimentos da gravidez, ela ia parir em meio de dores, ela teria um desejo de ser superior ao seu esposo, sem desejar ser submissa a ele;  ocasionando problemas de relacionamentos para  toda a sua posteridade (Gênesis 3:16).
 
Não é errado ter desejos carnais, desde que eles sejam comedidos, permitidos e abençoados por Deus, como por exemplos: desejos de alimentação,  e nutrição; desejos de consumos moderados; desejos sexuais, compartilhados pelos nubentes após o casamento; nem tampouco, os desejos da alma, desde que não ultrapassem os limites designados pelo SENHOR, e que não ocasionem males as outras pessoas.
 
Um exemplo tocante bíblico é o desejo intenso que Jesus Cristo sentiu para se reunir, se congratular e compartilhar a Última Páscoa, e a celebração da Ceia do Senhor com seus amados discípulos; e Ele realizou o seu desejo, imagino o quanto ficou feliz em participar momentos deleitosos de comunhão, de amor, de serviço, em prol, a favor do bem, e ao lado  deles; mesmo já sabendo de antemão os sofrimentos que seria acometido poucas horas depois.

''E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos.

E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça;

Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus''.


(Lucas 22:14-15 )
 
 
Entreguemos todos os nossos desejos ao crivo do SENHOR; se forem da vontade dEle, eles serão saciados, senão serão negados para o nosso maior bem. Jamais devemos nos afastar de Sua presença esplendorosa, para satisfazer um desejo que gera pecado, morte!